sexta-feira, setembro 15, 2006

Ideais

Ontem à noite assisti "Quase Deuses". O filme foi recomendado pelo meu irmão e tem uma afinidade com nossa trajetória profissional, pois somos ambos apaixonados pela cirurgia cardíaca. Essa paixão iniciou logo no início da minha carreira e acho que acabei o influenciando com tantas histórias do meu cotidiano, nas intermináveis conversas que temos até hoje.
Essa influência foi tão grande que hoje ele é um excelente cirurgião cardíaco, com apenas 30 anos de idade, fato que me faz ter um orgulho imenso dele.
Um dos momentos mais bonitos da minha carreira e aquele que posso dizer que só por ele já valeu a pena tudo que fiz na vida, foi ter a oportunidade de ter trabalhado na primeira equipe do interior do estado a realizar uma cirurgia cardíaca.
Um momento inesquecível, profissional e pessoalmente.
Nunca mais vou esquecer daquele paciente, um menino de treze anos de idade, que me olhou momentos antes de ser anestesiado e me disse, talves percebendo toda a minha tensão: "Fica tranqüila Mônica, vai dar tudo certo, você vai ver." Vi no olhar dele que toda sua esperança estava depositada na nossa equipe.
Ver o coração novo, pulsando dentro do peito daquele menino, provocou uma emoção indescrítivel.
Ele morreu mais ou menos um ano depois, por outros problemas. Mas ouvir do pai dele que o ano que ele viveu após o transplante, podendo jogar futebol e freqüentar festas com os amigos valeu por toda breve vida dele, fez ver que o esforço sempre vale a pena.
Naquele final de semana do transplante lembro de ter trabalhado 48 horas seguidas sem sair de dentro do hospital, pois como os órgãos do mesmo doador realizamos mais dois transplante renais e dois de córnea.
Por isso sou apaixonada pelo que faço, embora hoje esteja praticamente só na docência. Mas apesar da paixão pela pesquisa e pela vida acadêmica, ainda faço questão de acompanhar os alunos em aulas práticas no hospital.
É isso, o filme me fez pensar que apesar de tudo, sempre fazemos as escolhas certas.

10 comentários:

Daniel disse...

Eu vi Alta Fidelidade, de novo.

Mônica disse...

Tu acredita que ainda não vi esse filme?

Daniel disse...

Vai ver logo guria!

Mônica disse...

sim senhor,verei ainda hoje se possivel..rsss ;)

Anônimo disse...

Primeiramente obrigada por me receber aqui. Sou tua mais nova leitora.
Gostei muito da tua história do transplante. Tbm já assisti Quase Deuses e amei, ainda mais que se trata de uma história real. Ambas são histórias de vida que tocam o coração da gente. Beijo!

Mônica disse...

Oi..todos são sempre muito bem vindos aqui.
Volte sempre e me diga quem vc é.
beijão

Plinio Nunes disse...

Se já te admirava pela maneira como escreves, este teu relato aumenta ainda mais a minha consideração. Vejo tanta gente preocupada consigo mesmo, com suas mesquinharias, com seus planos sórdidos e egoístas, que não posso deixar de fazer um reconhecimento a quem realmente dá sentido à palavra viver. Parabéns.
Ainda não vi o filme, mas certamente vou vê-lo.

Iki disse...

Mô a anonônima sou eu Iki. Eu coloquei meu nome mas saiu como anônimo. Beijo

Mônica disse...

oie Iki...sabe q até imaginei que era vc. brigada de novo, minha nova leitora

Mônica disse...

Plinio, assista sim. E se não valorizarmos a vida, pra que servirá o resto?