Multidão de crianças comprando livros na Jornada Nacional de Literatura da Universidade de Passo Fundo.Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Educação
Multidão de crianças comprando livros na Jornada Nacional de Literatura da Universidade de Passo Fundo.Terça-feira, Outubro 06, 2009
Mudanças e verdades
Sempre tive uma relação complicada com mudanças. Mais cedo elas me desafiavam. Adorava. Faziam-me olhar para frente, assumir desafios. Hoje em dia me assustam. Acho que a maturidade, a sensação de que o tempo está indo muito rápido me faz pensar que desejo mais estabilidade. Mas, não adianta. Estou eternamente em período de mudanças, sejam elas quais forem, desde o corte do cabelo até rumo profissional, passando por sentimentos e relacionamentos.
Essas mudanças que a vida nos exige, que antes me moviam agora me travam. Fico sem saber fazer escolhas, fico com medo do que está por vir. Fico com medo de ter que mudar meus conceitos.
O que me reporta às verdades. Sempre tive a consciência de as verdades não são absolutas. O que é verdade para mim hoje, talvez não seja mais verdade amanhã. Todos os sentimentos que tenho hoje, provavelmente não os terei, pelo menos não na mesma intensidade, amanhã ou em alguns anos.
Essa mutação das "minhas verdades" também me assusta agora. Não sei se quero e se posso mudar meus sentimentos, não sei se quero mudar meu rumo profissional, não sei se quero mudar o rumo da minha vida.
Mas eu sei que não é minha escolha mudar. Minha escolha nesse momento é só tomar a decisão. Minha ingerência agora é somente optar qual será a minha escolha e qual será a minha renuncia, já que acredito (por enquanto, para ser coerente) que cada escolha corresponde a uma renuncia.
Torço para que eu tenha a capacidade de escolher a renuncia certa. Porque se fizer isso, posso acreditar que fiz a escolha certa.
Sexta-feira, Outubro 02, 2009
Henrique
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
A espera de Henrique

Terça-feira, Setembro 22, 2009
Do lado esquerdo do peito
Logo que se conheceram eles tinham longas conversas ao telefone quase todas as noites. Eles contavam coisas de suas vidas, do seu dia, seus problemas, suas aventuras e foi assim que realmente um conheceu ao outro. Em uma dessas noites, ele disse que estava deitado no chão do seu quarto, pois suas costas doíam, e ela perguntou se podia deitar ao lado dele, pela menos na sua imaginação. Ele disse que era para ela deitar com a cabeça no lado esquerdo do seu peito. E ela então, de olhos fechados, tão longe fisicamente que estava dele, se imaginou deitada ali. E sentiu uma emoção tão forte, como se aquilo fosse real. Acho que foi naquele momento em que ela se apaixonou por ele.
Hoje em dia, passados tantos e tantos anos, muitas vezes ela ainda deita com a cabeça bem naquele lugarzinho do seu peito enorme, para ouvir suas conversas, para pensar nos problemas e para pegar no sono.
E quando ele a abraça de verdade, ela sempre nota que a cabeça dela encaixa direitinho naquele espaço.
Ela pensa que, mesmo que a vida os separe definitivamente, ela ainda toda noite vai deitar sua cabeça ali, para sentir que finalmente está onde deveria estar. E ela lembra o poema do Vinicius que diz:
Domingo, Setembro 20, 2009
Rubens

Amanhã é aniversário do meu pai. Homem forte, alegre, que sempre soube aproveitar as coisas boas que a vida lhe deu e mais do que isso, compartilhou sempre essas coisas com a família. Sempre fomos muito unidos. Primeiro na vida tranquila que tínhamos, nas inúmeras viagens em todos os finais de semana que lembro da minha infância e todas as outras coisas que tornaram a minha infância imensamente feliz. Depois, nas dificuldades que a vida vai nos apresentando e que foram e vão sendo vencidas diariamente, sempre graças a essa união que é, com certeza, capitaneada pelo Seu Rubens.
Meu pai sempre foi um homem que levou muito a sério a família. Um amor imenso por seus pais. Uma ligação muito forte com meu avó e principalmente com minha avó. Um amor incondicional por minha mãe e por seus três filhos e que muitas vezes foi traduzido pela educação que recebemos.
Ele sempre nos incentivou a estudar. Ganhamos muitos livros, mesmo antes de sabermos ler. Estudamos nas melhores escolas, fizemos todos os cursos que queríamos. Lembro de todas as fases da minha formação com meu pai sempre presente.
Infelizmente há anos atrás a vida lhe pregou grandes peças, fazendo com ele tivesse imensas perdas financeiras, familiares e a pior de todas: a sua saúde. Um infarto, uma cirurgia cardíaca e a diabetes o fizeram diminuir drasticamente a sua acuidade visual, resultando em apenas sombras que ele consegue perceber hoje.
Mas isso não o impede de ainda exercer uma grande e linda influência na nossa vida. É o ídolo do seu neto e aguarda ansiosamente a chegada do segundo para daqui a alguns dias.
Feliz aniversário meu exemplo de vida, de caráter e de amor.
Quinta-feira, Setembro 17, 2009
Vida que segue

Não tenho escrito muito por aqui. Aliás, não tenho escrito muito em lugar algum, fora algumas frases non sense no twitter.
A vida tem sido corrida, mas a sensação é a de que estou correndo para lugar nenhum. O que me lembra sexta-feira passada, à noite, em que me perdi em Porto Alegre. Fui dar carona para uma colega de trabalho que mora lá para os lados da Dom Pedro. Na volta, ao invés de dobrar a direita em uma determinada esquina, dobrei para a esquerda e quando me dei conta já estava chegando na Restinga. Tentei voltar, não achava retorno e entrei em uma rua para tentar o retorno. Aí sim, me perdi geral. Pegava qualquer rua na tentativa de sair dali. Morrendo de medo, cada vez ficava mais perdida e não sabia para onde estava indo. Comentei com a pessoa que me acompanhava que estava lembrando o ditado que diz que pra quem não sabe onde vai qualquer caminho serve. Já passava da meia noite quando consegui chegar de volta à Dom Pedro e pedir ajuda em um posto de gasolina e finalmente chegar no hotel em que eu estava na Miguel Tostes.
Minha vida nos últimos dias tem sido assim. Muito movimento, algumas perdas, algumas tristezas.
Por outro lado, algumas coisas muito boas estão acontecendo:
* Finalmente troquei de carro, depois de muito pensar com medo de encarar um financiamento. Mas consegui um negócio excelente. Não é o carro dos meus sonhos, mas pelo menos tenho um carro zerinho.
* Ganhei um prêmio do meu título de capitalização. Ufa! Grande hora para ganhar dinheirinho extra.
* Meu sobrinho, o Henrique, está quase chegando. Cesariana marcada para o dia 02 de outubro.
* Parece que depois de um início de semestre tumultuado, as coisas parecem estar entrando nos eixos de novo na Universidade.
* Novas janelas se abrindo.
* Coração cada dia mais cheio de sentimentos bons.
* Viagem para Fortaleza praticamente acertada. Uma semana de muito sol, água de coco e boa companhia.
Só falta a noticia de que haverá quinze dias diretos de sol em Passo Fundo city.
Domingo, Agosto 23, 2009
Desabafos de um domingo
Terça-feira, Agosto 18, 2009
Terça-feira
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Segunda-feira
Hoje definitivamente é o pior dia até aqui. Espero que seja mesmo. Essa sensação de piora talvez seja pela mudança brusca do tempo. Tem muita umidade no ar.
A aparência está horrenda. Uma palidez cadavérica, olhos vermelhos e lacrimejantes, enormes olheiras, rosto murcho. Vontade de quase nada. Não consigo dormir. Aliás, as noites são os piores períodos. Dormir pelo menos faria o tempo passar mais rápido, mas...
Nem eu sei porque estou fazendo esse diário. Talvez para passar o tempo. Talvez para dar a sensação de estar falando com alguém, nem que seja comigo mesma.
Na verdade, o telefone tem tocado sim. Sempre é da universidade, com algum problema para eu resolver. Será que ninguém entende que eu não consigo resolver nada agora? Meu senso de responsabilidade estava me impedindo de desligar o celular, mas acabei de fazê-lo.
Estou cansada, desanimada, sem qualquer apetite. Estou começando a me sentir fraca.
Espero fortemente que os epidemiologistas estejam certos e que em dois dias os sintomas diminuam. Embora eu não ache que seja a gripe H1N1. A febre é baixa e a falta de ar não é significativa. Mas que é uma virose muito chata, ah isso é.
Por via das dúvidas e por ordens médicas, continuo aqui no meu isolamento. Saudade de estar com as pessoas que amo.
Domingo, Agosto 16, 2009
Diário de uma gripe II
Mais um dia nesse isolamento e parece que vou enlouquecer. Felizmente minha mãe acordou bem melhor hoje, mas eu continuo com dores de cabeça e nas articulações. A noite foi particularmente ruim, com febre intensa, muito calafrios e sintomas gastrointestinais. Durante o dia a febre parece que dá uma folga.
Mas o pior de tudo é ter que ficar aqui parada. Não que eu não goste de ficar em casa. Em estado normal sempre gosto dos momentos em que posso ficar aqui. Talvez porque os meus dias sejam sempre agitados, falando com gente demais, indo a reuniões e compromissos demais.
Mas, enfim, ficar em casa por vontade própria é uma coisa, ficar em casa obrigatoriamente isolada do mundo é outra bem diferente.
Não acho o que fazer, principalmente porque sei que na vida lá fora eu estaria em uma semana cheia. Volta as aulas, reorganização do calendário acadêmico depois desses adiamentos todos, bancas finais da pós-graduação, recepção dos calouros, visita do MEC para recadastramento institucional, aulas como convidada na Faculdade de Medicina. Tudo sendo adiado ou cancelado.
Fora essa dúvida sobre se é a malfadada Gripe ou não. Medo cada vez que a febre sobe, toda hora medindo a pressão arterial e observando sinais de dificuldade respiratória. Não adianta, por mais que se tente ser racional e lembrar os conhecimentos profissionais, sempre que a coisa é com a gente, acaba pintando uma paranóia.
O que piora tudo é que, a cada dia, meu humor vai ficando mais irritadiço. Principalmente porque não acho nada que me distraia. Não aguento mais ver televisão, meus olhos e minha cabeça doem se tento ler e esse notebook que se desliga a cada intervalo de tempo por algum problema que não tenho como resolver agora, está me deixando cada vez mais com sensação de isolamento.
Além de não poder sair para levar esse computador no conserto, não tenho nem como sair para comprar as coisas que estão começando a faltar em casa. Ontem tive que ligar para o mercado aqui perto, passar a lista de compras e ir ate lá de carro e pedir que alguém colocasse as coisas no porta-malas do meu carro, pois o médico pediu que eu evitasse contato com as pessoas.
Espero que esse período passe rápido, que nada se complique e que em alguns dias eu seja libertada dessa minha prisão domiciliar.
Sábado, Agosto 15, 2009
Diário de uma gripe

No início dessa coisa de gripe suína ou H1N1 novo sorotipo, como queiram, eu e muitos profissionais de saúde não demos a devida importância, pois o quadro clínico que se apresentava nos primeiros infectados no Brasil era muito menos grave que o de gripes mais corriqueiras. De alguma forma, a começar especificamente por Passo Fundo, cidade em que houve o primeiro quadro grave da gripe que evoluiu para a morte, tivemos o aparecimento quase que em progressão geométrica de infectados com quadro clínico bastante intrigante, evoluindo rapidamente para um quadro respiratório bastante grave e consequentemente uma mortalidade alta em uma faixa etária pouco comum para a gripe comum, o de adultos na faixa dos
Mas enfim, de uma forma ou de outra, mesmo estando em situação de risco por ser profissional de saúde e ter contanto constante com sujeitos contaminados, a sensação de que isso era uma coisa que só acontecia com outras pessoas, apesar de todos os cuidados sempre terem sido tomados, ou seja, um aumento na frequencia da lavagem de mãos e uso de álcool-gel.
Enfim, na quinta-feira, minha armadura foi rompida e comecei a apresentar os primeiros sintomas da gripe. Ainda não se pode dizer se é a malfadada gripe H1N1 ou se é um quadro gripal qualquer, mas por via das dúvidas ontem fui afastada do trabalho por uma semana.
Os sintomas começam de repente. Iniciaram com dores intensas nas articulações, dor de cabeça e um cansaço muito desproporcional ao esforço. Ontem acordei com tosse seca, embora insipiente, coriza leve, um leve desconforto gastrointestinal, com náuseas e vômitos, intensos calafrios, que o médico diz ser da “viremia” e o mais preocupante, com febre. Imediatamente tentei me manter afastada dos meus familiares, usando máscara quando em contato com eles.
Infelizmente, hoje minha mãe amanheceu também com sintomas de um quadro gripal.
Eu continuo com dor de cabeça, mal estar geral, mas felizmente não tive mais febre.
Minha preocupação agora é com meus pais. Principalmente, com meu pai que é diabético e tem problemas cardíacos. Até hoje ele não apresentou nenhum sintoma.
Espero que continue assim.
Espero que esse quadro todo seja leve e que eu e minha família passemos por isso de uma forma branda. Amém.
Segunda-feira, Agosto 10, 2009
Sol e luz

Terça-feira, Agosto 04, 2009
Quinta-feira, Julho 16, 2009
Motivação

Quinta-feira, Julho 02, 2009
Vida madura
Terça-feira, Junho 23, 2009
Sexta-feira, Junho 19, 2009
Friday Night

Quinta-feira, Junho 18, 2009
Run

Domingo, Junho 14, 2009
Manhã de domingo
Ela acordou hoje com a mesma angustia característica de todas as suas manhãs. O único alento é que é domingo e ela não tem que sair correndo resolver aquele monte de problemas corriqueiros.
Sair da cama é sempre um suplício, mas hoje o sol lá fora que adentra o quarto ao abrir as cortinas dá uma espécie de esperança.
Ela sabe que precisa começar a separar as coisas. Precisa parar de se preocupar com problemas que ela não pode resolver. O sofrimento a está deixando uma pessoa dura. Está afastando ela de tudo que gosta, do todos de quem gosta. Ninguém gosta de conviver com alguém eternamente ansiosa, reclamona e entristecida. Ela sabe, só não sabe como fazer para mudar isso.
Os raios de sol que entram pela sua janela agora a fazem querer sair para a vida. Tem necessidade urgente de viver novamente. Busca caminhos diferentes. Espera surpresas positivas que a façam ter esperanças.
Quer retomar sua capacidade de sonhar com o futuro. Quer ter a certeza de que terá um futuro.
E assim ela faz um enorme esforço para tornar essa ensolarada manhã de domingo um marco para mudanças no seu atual inerte estado.
Terça-feira, Junho 09, 2009
Sem rumo
Sábado, Maio 30, 2009
I dreamed a dream

E ela não ganhou, ficou em segundo. Mas ela viveu o sonho que cantou tão bonito. Ela me diz que, apesar da letra da música* que repetiu na final dizer o contrário, vale a pena tentar viver os sonhos. Vale a pena quebrar paradigmas, vale pena tentar andar na contra-mão. Nem sempre venceremos, mas a tentativa já nos lança a uma nova vida, a novos sonhos, a novas oportunidades.
* Quem tem dificuldades com o inglês deveria ver o vídeo traduzido para perceber a pertinência da letra da música com a história de vida da cantora.
I dreamed a dream in time gone by
When hopes were high and life worth living,
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving
Then I was young and unafraid,
When dreams were made and used and wasted
There was no ransom to be payed,
No song unsung, no wine untasted
But the tigers come at night,
With their voices soft as thunder,
As they tear your hope apart
As they turn your dreams to shame
And still I dreamed he'd come to me
And we would live the years together,
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather
I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream I dreamed
Sexta-feira, Maio 29, 2009
Silêncio
Reclamação
Hoje pela manhã, ao assistir o jornal Fala Brasil da Rede Record, vi uma notícia que revelava maus tratos de uma mulher a uma idosa a quem tinha a incumbência de cuidar. Durante toda a matéria os âncoras do programa chamaram a tal pessoa de "enfermeira", o que obviamente ela não é. Liguei para a redação do programa e pedi que checassem a informação sobre a profissão da cuidadora, dizendo que o Enfermeiro é um profissional de nível superior, com atividades regulamentadas e bastante diversas daquela executada pela agressora. Pedi que checassem e corrigissem imediatamente sob risco de prejuízo moral a toda uma categoria.
Para meu alívio na edição do meio dia a emissora corrigiu a informação.
Sempre vale a pena buscar informações corretas.
Desejo
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Televisão é cultura
Amigo
Tenho muitos amigos, em graus variados de intimidade e de convivência. Tenho amigos de trabalho, tenho amigos sociais, tenho amigos de verdade.
E eu tenho um amigo especial. Especial no sentido de que é uma pessoa tão presente na minha vida, que às vezes ultrapassamos até as medidas de uma boa convivência.
Ele entrou na minha vida em 2001, momento complicado para a vida de ambos. Ele tentando se firmar profissionalmente e eu tentando me firmar emocionalmente. Ele conseguiu, eu já avancei, mas acho que ambos tivemos uma grande parcela de responsabilidade na conquista alheia.
Nossa amizade já passou por várias fases. Com maior ou menor intimidade. Já ultrapassamos limites e já colocamos limites. Ele já me mandou ficar fora da vida dele e eu fui. Fui e eu voltei.
E assim nós seguimos, com meses de silêncio, com períodos de proximidade.
Costumo dizer que temos famílias praticamente gêmeas, tal o grau de semelhança entre problemas.
Damos conselhos pessoais e profissionais mútuos, compramos as mesmas brigas, compartilhamos sonhos parecidos e temos muitas diferenças de gostos. Principalmente com relação a relacionamentos e futebol.
Brigamos com frequência. Nos aproximamos com frequência. Somos cúmplices em grande parte de nossas semelhanças.
Sabemos boa parte dos segredos um do outro. Talvez até eu conheça mais os dele do que eu permita que ele conheça os meus.
Nos falamos constantemente. Tem dias que tenho a sensação que ele está sentado ao meu lado de tanto que parecemos próximos. Ás vezes tenho a sensação de que um muro apareceu do dia para a noite entre nós tamanha a distância que se estabelece. Mas nesses oito anos viramos especialistas em derrubar paredes.
Às vezes ele é a última pessoa que falo antes de dormir, e a primeira que falo quando acordo, embora muitos e muitos quilômetros nos separem fisicamente.
E hoje ele está ficando mais velho. O que me dá medo, porque tenho certeza de que quanto mais velho ele fica, mais ranzinza ele fica. Mas eu sempre vou aturar.
Porque eu te amo meu amigo. Eu admiro a tua competência, as tuas ideologias, as tuas crenças, as tuas paixões, a tua hombridade, o teu jeito "família" de ser e até o teu mau gosto em futebol, porque é preciso muita coragem para ser colorado. Eu te gosto do jeito que é. Do jeito que é a nossa relação é. E sempre será, eu tenho certeza.
Feliz aniversário, meu amigo mais do que querido. Seja feliz, tenha sucesso, realize teus sonhos e desejos e conta comigo sempre. Pra toda vida.
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Tão difícil
Longo mas bom para refletir
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Leoa ou gazela?

O De Masi, autor que citei no post abaixo, tem um texto que diz o seguinte:
"Toda manhã, na África, uma gazela desperta. Sabe que deverá correr mais depressa que o leão ou será morta. Toda manhã, na África, um leão desperta. Sabe que deverá correr mais que a gazela ou morrerá de fome. Quando o sol surge, não importa se você é um leão ou uma gazela; é melhor que você comece a correr".*
Bem assim eu ando me sentindo.
Ando tão cansada com essa correria toda que meu emocional está completamente abalado. Ontem caí no choro quando meu personagem no jogo morreu em uma batalha. Agora ao meio dia encontrei um gatinho atropelado e vim dirigindo chorando convulsivamente até em casa.
Vou dar aula agora à tarde sobre cinemática do trauma e para isso uso vídeos de acidentes graves de trânsito. Imaginam o que vai acontecer?
Alguém tem um Valuim aí?
* DE MASI, Domênico. O futuro do trabalho: fadiga e ócio na sociedade pós-industrial. Brasília, 2000. UNB/José Olympio ed. p.31)
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Colhendo frutos tardios
Há alguns anos publiquei meu primeiro livro. Na verdade, como todos, um livro técnico. Esse primeiro em particular era um recorte da minha dissertação de mestrado. Tratava, para não se muito chata e profunda, das formas de enfrentamento do estresse dos enfermeiros de centro cirúrgico. O tema veio, obviamente, da minha prática profissional anterior ao mestrado, toda advinda de atendimento à pacientes críticos, portanto, no cotidiano mais estressante que conheço. Para ilustrar o ambiente de trabalho, citei De Masi (2000) que considera a enfermagem a segunda profissão em nível de insatisfação ao lidar com sofrimento, só perdendo, segundo ele para os coveiros. Não sei se concordo em todo com o autor, porque, apesar de todas as situações dolorosas com as quais me deparo todo dia, tenho muito prazer no que faço. Prazer esse, na sua maioria das vezes, derivado da possibilidade da ajuda a outro ser que sofre ou que evito que sofra.
Mas enfim, quase dez anos depois da publicação dessa obra ela continua sendo citada no meio acadêmico. Semanas atrás fui convidada a participar de um programa de rádio, ancorado por dois psiquiatras, exatamente para falar do sofrimento no trabalho, tendo por base o contexto do livro. Achei que depois de tanto tempo não haveria nenhuma repercussão.
Para minha grata surpresa, depois desse programa fui chamada para várias conferências, vários colegas enfermeiros e médicos vieram conversar comigo sobre o tema e hoje recebi uma ligação da editora querendo saber se eu queria re-editar o livro, pois a procura tem sido grande.
Não quero. Quero escrever outros, quero escrever melhor. Quero aprofundar o tema. Mas estou bem feliz que algo que estava lá no fundo da minha gaveta intelectual foi novamente exposto, o que me faz pensar que às vezes vale à pena olhar para trás e valorizar o que já passou, pois talvez ainda haja espaço para essas coisas esquecidas e descartadas no nosso futuro.
Dias em que não se deve sair da cama
Todo dia eu acordo muito cedo e assisto o início do jornal da manhã. Meu trabalho me faz necessitar estar informada, como provavelmente todos os trabalhos. Mas, além das notícias do dia, a minha motivação para assistir ao jornal é saber a temperatura. E aqui entra o assunto desse post.
Eu gostaria que houvesse uma forma, sei lá como (tem gente que inventa tanta coisa, por que não poderiam inventar isso), de que tivéssemos a informação de que se aquele dia é um dia oportuno para sairmos de casa, ou se é daqueles dias em que devemos ficar na cama.
A última sexta-feira foi o dia em que eu devia não ter saído da cama. Depois de uma semana agitada e uma ginástica enorme para mudar minha agenda, fui a Porto Alegre representar a Vice-Reitoria da Universidade na resolução de um convênio que há anos está tramitando.
Muito frio aqui, peguei o ônibus das nove da manhã, com a intenção de ler o camalhaço de folhas que compunham o processo. No meio da viagem enjoei. Resolvi parar de ler e deixar para fazer isso no intervalo de duas horas em que eu teria entre a minha chegada e a reunião. Na chegada fui almoçar e pedi a sugestão do chefe do restaurante que era composta de uma salada primavera de entrada e um filé com legumes ao vapor como prato principal. Bem, enquanto comia a salada, que estava deliciosa, comecei a leitura dos documentos e fazer alguns apontamentos. Depois de duas garfadas na salada, notei que o garçom tinha retirado o meu prato, talvez pensando que como eu estava lendo eu não estava mais interessada na comida. Quinze minutos depois veio o prato principal que me apressei em comer antes que me roubassem o prato novamente. Pedi um café, terminei meus apontamentos, dez minutos para conseguir a conta, mais cinco para a nota fiscal e eis que vou em direção ao centro administrativo do estado.
Chegando lá descobri que a reunião havia sido suspensa um dia antes e que a pessoa encarregada de me avisar simplesmente esqueceu de passar o recado.
Bom, isso eram 15 horas e meu ônibus de volta seria as 19. Vocês não têm idéia do quanto eu estava braba. Juro que naquele momento eu entendi o instinto assassino que algumas pessoas têm.
Como nada mais a fazer, além de dar uns 20 telefonemas xingando meio mundo, fui ao shopping e pedi um chá de camomila. Encontrei com uma amiga e ficamos mais ou menos uma hora conversando no café. Resolvemos dar uma volta para ela comprar um sapato. Nesse momento recebo a ligação de um amigo me convidando para tomar um café no centro.
Fiquei no centro mais ou menos até as 18 horas e me aventurei a pegar um táxi. Depois de 15 minutos no ponto, abaixo de garoa, eis que chega o taxista. Entro na carro e digo:
- Rodoviária por favor.
- A senhora tem troco, porque se não tiver não faço a corrida.
- Tenho sim senhor.
Três quadras depois:
- A senhora devia ter ido a pé para a rodoviária. Agora vou ter que suportar esse trânsito todo por uma corrida pequena.
- Senhor, eu poderia ter ido a pé, mas estou atrasada e está chovendo.
Duas quadras antes de chegar a rodoviária:
- A senhora por favor desça. Não lhe cobro a corrida, mas pra rodoviária não vou com esse trânsito.
Parou o taxi, abriu a porta e ficou esperando eu sair.
Desci do taxi e corri, de salto e abaixo de chuva, a distância que faltava e consegui chegar na rodoviária 10 minutos antes do ônibus sair. Entro, sento na poltrona 06 que é corredor. Um minuto antes de sair entram dois brigadianos, um senta na poltrona exatamente ao meu lado do outro lado do corredor e o outro, como o ônibus estava lotado, resolve que vai viajar em pé, ao lado do colega, com o enorme traseiro virado para a minha cara.
Eu:
- O senhor pretende viajar ai o tempo todo? É proibido viajar em pé nos ônibus
- Sim senhora, tenho direito a viajar de graça enquanto estou em serviço e como não tem lugar para eu sentar vou ficar aqui. Se a senhora não gostar desça do ônibus e deixe seu lugar para mim.
Como acho que matar brigadiano agrava a pena, resolvi baixar meu banco e tentar me cobrir com meu casaco encharcado. Para meu alívio, duas horas e meia depois ele resolveu descer no posto da polícia rodoviária em Lajeado.Não preciso dizer que o ônibus atrasou uma hora por causa do congestionamento na saída de Porto Alegre.
Chego a Passo Fundo quase a meia noite, um frio do cão, as roupas ainda molhadas e mais dez minutos esperando táxi para voltar para casa.
Definitivamente, quero que haja um mecanismo para avisar os dias em que devo ficar na cama.
Domingo, Maio 17, 2009
Fantasias, decisões e sentimentos

Ontem tomei uma decisão que deveria ter tomado há muito tempo. Não foi uma coisa intempestiva, nem teve um fator motivador único. A decisão foi tomada em reflexões, derivada talvez da maturidade, da capacidade melhorada de tolerar frustrações e, talvez, de um estado emocional mais equilibrado. Mas nem por isso foi uma decisão fácil e menos dolorosa. Retirei a máscara, expus minha cara e meus sentimentos.
Foi uma decisão baseda na crença de que fantasias que ficam somente nas fantasias, mesmo que em algumas vezes compartilhadas, se esvaziam. Podem nos gerar prazeres momentâneos, mas não se sustentam e quando acabam deixam sentimentos ruins. Ainda mais se você não encontra respostas para todos os questionamentos que geram no final de alguns atos.
Você quer saber por que a coisa fica só no desejo de realização, mas não na concretização. Você sabe que oportunidades para a realização são muitas. Mas, não. Fica ali, só no subliminar. Enfim, você fica achando que a fantasia não é com você, não é para você. Ela só acontece ali porque quem está no momento do acontecimento, casualmente é você. Você sente que está por trás da mascára, mas que se você retirá-la vão te dizer que foi um engano.
Uma vez eu li que dói muito mais a perda de uma ilusão do que a perda de algo que é real. E acho que por isso estou me sentindo assim, meio que de luto hoje. Luto pela perda da minha ilusão. Luto por ter que enfrentar definitivamente uma realidade. Luto por estar me sentindo incompetente, impotente e indesejada.
Enfim, acho que ninguém entenderá nada do que escrevi aqui. Pelo menos não grande parte das pessoas que lêem esse espaço. Mas eu finalmente estou entendendo e estou muito certa do que estou fazendo.
Terça-feira, Maio 12, 2009
Pagando a língua
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Vida preenchida
Sabe quando tu tens alguma coisa na vida que preenche teus dias? Geralmente é um amor novo, um filho, uma conquista. Esses são preenchimentos positivos.
Minha vida anda preenchida nos últimos tempos. Mas não por coisas tão motivadoras. O que me preenche é o trabalho.
Não, não estou reclamando de ter um trabalho. Estou apenas dizer que esse tal trabalho que enobrece o homem, que paga as contas no final do mês e que, na maioria das vezes, é a salvação da nossa saúde mental, pois não nos permite pensar besteiras, bem esse trabalho tem me enlouquecido. Acordo e durmo pensando nas coisas da universidade.
Aliás, acordo pensando já em quantas horas faltam para eu voltar a dormir, tamanha a minha exaustão. Toda noite antes de dormir coloco meu despertador para as 05:30 da manhã, pois às 6:50 já tenho que estar em plena atividade. Meu despertador é daquelas que, na hora da programação, diz quanto tempo falta para despertar. Ando dando pulos de alegria quando ele me diz que faltam mais de quatro horas para que ele toque.
O problema disso tudo não é só eu tentar aproveitar qualquer minuto livre da minha vida para dar uma dormidinha, nem que seja de dez minutos. O real problema é que sinto que minha vida está sendo adiada. Está sendo adiada para um momento em que talvez, Oxalá isso aconteça logo, esse trabalho não me tome todos os momentos conscientes.
Fico pensando que já, há um tempo não muito distante, tive tempo de me apaixonar, de ter amigos, de sair para jantar, de viajar, de curtir minha família. Tenho saudade até, pasmem, do tempo em que tinha tempo para sofrer por amor. Agora nem penso nisso. Bem vá lá...quem sabe essa seja uma das compensações. Não ter tempo para sofrimentos. Mas por outro lado, nem para prazeres.
Enfim, ando sobrevivendo e esperando ter tempo para voltar à vida. Voltar à vida quem sabe mais otimista, menos cansada e mais disponível aos prazeres que ela possa oferecer.










