domingo, agosto 20, 2006

Sorry

No post Opinião Livre, não tive a intenção de ofender juizes, promotores e advogados, a quem admiro muito e acredito serem os responsáveis pela pouca paz que ainda temos. Sei que para esses profissionais o respeito às leis é a garantia de um estado de direito, livre e pacífico. E é assim que tem que ser.
Entretanto, ao expressar minha opinião, questiono, com as lentes de uma vítima da violência, algumas dessas leis ou a forma como têm sido aplicadas e/ou interpretadas. Posso estar muito enganada, mas realmente não acredito que todos os criminosos tenham condições de serem ressocializados. Acho que é necessário uma grande discussão sociológica, antropológica, psicológica e legal para chegarmos a uma conclusão.
Estive na sexta feira em um evento que discutia o atual sistema de saúde brasileito (SUS). Ouvi um representante do Minístério Público comentar que é de sua responsabilidade a garantia do direito do usuário. Ouvi também ele comentar que muitas vezes falta aos promotores um maior conhecimento da aplicabilidade do sistema, fato que gera um grande ruído entre os gestores da saúde e o Ministério Público. Por exemplo: esses tempos o Secretário Municipal da Saúde desse munícípio recebeu uma ordem para internar imediatamente um menor transgressor e usuário de drogas, sob pena de ter sua prisão decretada. Entretanto, desde a lei anti-manicomial, são raros os hospitais psiquiáticos e mais raros ainda os leitos para internação psiquiátrica em hospitais gerais. E ai? como se faz???? O gestor pega o usuário e o interna na sua própria casa casa?
A mesma situação encontramos nos hospitais quando recebemos ordem do Ministério Público para internarmos determinado paciente em UTI. Se não há absolutamente nenhum leito disponível, o que nós, profissionais da saúde fazemos? Tiramos algum outro do respirador para atender à ordem? Como vamos fazer essa escolha? Qual será o penalizado? Ou nos entregamos à policia para sermos presos por desacato à ordem?
Não seria muito mais fácil um diálogo previo entre os envolvidos para a tomada de decisão?
Tudo isso para dizer que acredito nas leis sim, e respeito muito os profissionais que garantem sua aplicação. Até por que um dos meus melhores amigos é advogado e é uma das pessoas a quem mais admiro, pessoal e profissionalmente.
Entretanto, acho que a discussão sobre a interpretação e a aplicabilidade das leis, e inclusive o teor de algumas, precisa passar uma emergente discussão que envolva representantes de toda sociedade cívil, pois não podemos ficar a mercê de um só olhar.
Bem, se os advogados, juizes e promotores continuarem a achar que estou errada, o que posso dizer em minha defesa é que, como sempre digo para esse meu amigo advogado, cada um olha o mundo com as lentes que possui e o enxerga conforme o ângulo em que está posicionado. E ainda, esse espaço é democrático, portanto, críticas são bem aceitas e há amplo direito a tantas réplicas e tréplicas quanto julgarmos necessário.
E, ao meu amigo, quero dizer, que apesar da nossa diferença de opinião, ainda o admiro.
;)

2 comentários:

amigo advogado. disse...

Bem vejamos, a auto-critica de alguns poderes até onde sei, já vem sendo feita. Agora não cabe a ninguem fugir da responsabilidade.
Nisto a lua e o sol convivem e plena harmonia.

Mônica disse...

Tomara, amigo advogado. Tomara.